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Ogier e Vodafone Rally de Portugal: a história de um romance

10 maio 2022

Sébastien Ogier partilha o recorde de cinco vitórias em Portugal com Markku Alén, mas é o único que conseguiu ganhar a prova portuguesa com três marcas diferentes. Conseguirá a lenda francesa voltar a fazer História?

Aos 38 anos, Sébastien Ogier aterra em Portugal numa fase diferente da sua vida. Pela primeira vez em quase duas décadas – desde a sua estreia absoluta no Rally Jeunes, que venceu, em 2005 – os ralis não são a prioridade na vida da lenda francesa, que viria a conquistar nove títulos mundiais (um no J-WRC e oito no WRC).

Hoje em dia, Ogier só esporadicamente abandona o conforto da sua propriedade na Suíça e a companhia da esposa, a antiga apresentadora de TV alemã Andrea Kaiser, e o filho de ambos, Tim, de 5 anos. Idolatrando Ayrton Senna, ao ponto de ser sido comissário de pista no GP do Mónaco de Fórmula 1, durante a juventude, Ogier nunca escondeu o seu fascínio pelos circuitos, principalmente pelas 24 Horas de Le Mans, para a qual está a fazer uma espécie de ‘formação’ intensiva na categoria LMP2, com a Richard Mille Racing (Signature).

Publicamente, ninguém sabe ainda quantos ralis vai Ogier fazer este ano. Em janeiro, esteve a um passo de voltar a ganhar Monte Carlo e de bater Sébastien Loeb, até um furo no penúltimo troço abrir a porta para o seu ‘eterno’ rival. Doze antes, foi precisamente um duelo sem tréguas com Loeb que marcou a primeira vitória de Ogier no WRC, no Vodafone Rally de Portugal de 2010.

Cartão de visita em 2010

Quem estava no Algarve, nesse ano, recorda como o jovem Ogier, tecnicamente ainda no Júnior Team da Citroën, resistiu à pressão de Loeb até ao último troço, batendo o seu ilustre compatriota por 7,9s. Foi, digamos, a entrada definitiva de Ogier no palco principal do WRC. Contudo, nos anos seguintes, o francês construiu uma relação especial com a prova portuguesa, tanto no Algarve como depois no Norte e Centro, mesmo quando, em muitos casos, tinha de abrir a estrada e ‘limpar’ os troços para a concorrência direta, algo que o levou a criticar frequentemente essa regra do WRC.

O certo é que a esse triunfo inaugural, Ogier juntou as vitórias em 2011, também com a Citroën, em 2013 e 2014, com a Volkswagen, e em 2017, com a M-Sport Ford. Ou seja, Ogier é o único piloto que conseguiu vencer o Vodafone Rally de Portugal com três marcas diferentes. Markku Alén, por exemplo, obteve as suas cinco vitórias com duas marcas: Fiat (1975, 1977, 1978 e 1981) e Lancia (1987). Hannu Mikkola ganhou com a Ford (1979) e a Audi (1983 e 1984), Carlos Sainz com a Toyota (1991) e Subaru (1995), Juha Kankkunen com a Lancia (1992) e a Toyota (1994), Colin McRae com a Subaru (1998) e a Ford (1999).

O talento e a versatilidade de Ogier tornam-no um crónico candidato à vitória em Portugal, mesmo no atual regime de part-time. Sobretudo porque o francês da Toyota tem dois fatores que jogam a seu favor este ano: a estreia dos novos Rally1 em pisos de terra, que poderá compensar o menor ritmo face aos pilotos a tempo inteiro no Mundial; e, sobretudo, a posição de partida bem mais favorável do que foi norma ao longo da sua carreira, já que Ogier será o oitavo a partir para a estrada na fase inicial do rali (Loeb, por exemplo, será o quarto e Rovanperä, líder do Mundial, vai ‘abrir’ os troços).

Uma coisa é certa: o ‘romance’ entre Ogier e o Vodafone Rally de Portugal terá mais um capítulo interessante este ano. Resta saber se será regado a champanhe.

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